30 de out de 2009

Guardião da várzea

Bonita entrevista do meu amigo Jair Siqueira, outro colaborador emérito para o projeto Museu da Várzea Santista.


Sua coleção de acervos já remonta de alguns anos e fez jus à reportagem do jornal A Tribuna, nesta última segunda feira. Realmente merecedor de elogios pelo belo trabalho que vem desenvolvendo em prol da memória da nossa várzea.

De fato, ninguém melhor do que ele, por ter vivido no ambiente do futebol varzeano, para se tornar com mérito o nosso guardião.

Espero, tanto quanto ele, armazenar o máximo de informação, para num futuro que espero seja breve, possamos conseguir um espaço público para a fundação de um museu permanente.

Portanto, parabéns pelo reconhecimento ao seu trabalho, pois, como faço paralelamente o mesmo trabalho, sei o quanto é ardoroso, não só pela sua execução, como também pela expectativa da colaboração e da boa vontade do pessoal da antiga.

Na verdade, por fazermos isso por hobby, e como não divulgamos adequadamente, talvez seja este o motivo pelo qual a turma ainda não tenha correspondido.

Que fique bem clara a nossa preocupação de querer preservar a memória da nossa querida várzea, a qual tem sido um celeiro inesgotável de maravilhosos jogadores.

Acredito em breve estar reunindo os velhos cardeais para que definitivamente fique gravada na mente de todos a intenção desta proposta.

Abraços do Gigi

Partilha do Bocado II - Tá no Sangue

Tenho plena consciência de que a corrupção é um mal da humanidade desde os primórdios, como assim relata a sua própria história.

Outro dia, saboreando o vasto conhecimento cultural do meu amigo Giorgio, e eu de canudinho na sua sapiente jugular, falávamos sobre história quando ele me explicou que, durante o governo de Roma existiu um personagem que se denominava por “Sequestri – Sequestrus”, o qual, oficialmente, guardava como fiel depositário o fruto da negociata entre o corruptor e o corrupto, liberando a respectiva quantia assim que fosse definida a transação.

Redigi a primeira matéria logo em seguida ao acontecimento em que o Brasil, ou melhor, a cidade do Rio de Janeiro havia sido escolhida para sede dos Jogos Olímpicos de 2016 e, já havia naquela ocasião externado minha preocupação quanto a manipulação de toda dinheirama para a sua realização.

O mais interessante é que até hoje milhares de observadores, curiosos, especialistas e toda crônica em geral, também se manifestaram a respeito demonstrando, de forma unânime, a mesma preocupação no controle dos gastos. Isto quer dizer que é um problema endêmico, está no sangue do nosso povo. Só falta cometer o absurdo de nomear o órgão controlador e fiscalizador de “Comitê de Seqüestro”. Assim, pelo menos não haveríamos de nos preocupar já sabedores da existência de um over oficial.

Apenas para rememorar, o PAN 2007 orçado em R$ 300 milhões, acabou em R$ 1 bilhão e 200 milhões. Portanto, se imaginarmos um percentual de superfaturamento em torno de 15%, e como já foi estipulado previamente um gasto de R$ 30 bilhões...”é grana prá dedéu”.

Que façam bom proveito, e vamos que vamos...

Abraços do Gigi



A sindrome da camisa 10

No passado, antes da Era Pelé, a camisa de maior relevância era a de número 8, considerada por quem a vestia, de cérebro do time, aquele que armava todas as jogadas e comandava o elenco em campo. Com o surgimento de Pelé, este magicamente por sua genialiade, acabou imortalizando a camisa de número 10, expressando assim, uma máxima a tudo que se refere a futebol.
Através dos tempos, muitos outros surgiram e abrilhantaram ainda mais como: Platini, Zico, Zidane, Maradona etc. etc. etc., mas, sempre com respeito à Sua Majestade, nunca deixando de fazer reverência ao verdadeiro e único criador.

Lembro-me bem quando os garotos, ao se apresentarem para as chamadas peneiras, respondiam a pergunta clássica do formador: “Qual a sua posição?”. E, invariavelmente, respondiam: “Sou armador, camisa 8”. Conseqüentemente, dos pretensos gênios, surgiam excelentes laterais, médios, atacantes e até mesmo goleiros.

Um fato curioso do meu passado foi quando o jogador Ademir da Guia, filho daquele que já recebia um apelido majestoso, e que também por sua técnica e habilidade apurada iniciou com a camisa 8, acabou por se notabilizar quando vestiu a camisa 10 herdando o mesmo apelido de seu pai, Domingos da Guia – “O Divino”.

Mas, o que me entristece é ver hoje em dia a banalidade com que os treinadores encaram este fato histórico, distribuindo a camisa sagrada a qualquer jogador sem um mínimo de técnica.

Embora reconheça tal valor, sempre fui contra a idéia maluca de alguns fanáticos torcedores de querer preservar a memória daqueles monstros sagrados que a envergaram, pedindo assim a sua exclusão. No entanto, tenho repentes, pelo que vejo, principalmente, no Santos F.C., de ser solidário àquela minoria.

Abraços do Gigi

8 de out de 2009

Partilha do bocado


A expectativa de ressuscitar um passado de glória se faz premente pela bem vinda Olimpíada do Rio de Janeiro, cidade cantada em verso e prosa por todos os poetas. Embora santista, vivi intensamente aqueles anos privilegiados, os chamados Anos Dourados da década de 60, onde existia além de sua plástica um povo reconhecidamente “carioca”. Este, na verdade, já perdeu todo o seu encanto e ginga, mas o que restou é inegavelmente uma cidade com um panorama dos mais bonitos do Brasil, e quiçá do mundo.

Mas, como a esperança é sempre a última que morre, estou torcendo para que volte a alma risonha, o espírito malevolente, o jeito malandro e bonachão do povo carioca. Assim disse bem aquele que invejo, sobremaneira, na sua capacidade plena de saber retratar um passado em que tivemos a alegria de viver, o Arnaldo Jabor em sua crônica: “ O Carioca vai renascer”. E, como ele próprio diz, fazendo de suas palavras as minhas: “se pegarmos leve na partilha do bocado, poderemos alcançar esse tão sonhado renascer”.


Abraços do Gigi