24 de fev. de 2007

Pontas....Ah! Que saudades!

Sou de uma geração privilegiada, aquela que viveu os chamados “Anos Dourados”. Foram anos em que o futebol brasileiro sobrepujou toda a sua arte (me nego terminantemente dizer “força”). Não quero me ater somente a “Era Pelé’, e sim, porque não, a "Era Pagão, Zizinho, Didi, Coutinho, Jairzinho”. Enfim, toneladas de craques que hoje, talvez, não houvesse uma cifra que definisse o valor de seus passes. Só me nego a afirmar a “Era Zagalo”. Este sim, talvez, tenha sido o precursor do fim do futebol arte, o anti-herói, o anti, anti, anti-tudo. A esta altura, Pepe, o maior ponta esquerda que o Brasil já teve, deve estar se deleitando com a matéria. E, o brilhante escritor Torero, que deve estar se mordendo por não ter visto nenhum deles jogar. Coitado, ele viu o Zagalo! Milton Neves sim, deve ter visto muito dos craques acima citados.

E hoje, dedico esta crônica aos pontas. Ah! Esses maravilhosos pontas! Quem não se lembra de um Garrincha, um Julinho, um Joel, um Pepe, um Canhoteiro, um Rodrigues Tatu, um Maurinho, um Tite, um Dorval, um Marcos, um Abel, um Edu, nossa mãe! Quantos! Se passar a bola para o Milton Neves então...,lá vem mais uns cem, acredito eu. Mas, a eles toda nossa reverência. Saudades sim, e muitas. Hoje o futebol se define, desculpem a expressão, pela “maldita” força. Lamentavelmente, hoje você conceitua o craque por sua velocidade aliada a um pouco de habilidade técnica e sua força ( já estou citando muito essa palavra, prometo não afirmá-la mais; estou parecendo o
Diogo Mainardi, promete que promete, e sempre acaba falando do Lula), em contrapartida àquele craque do passado, em que fazia parte de seu quesito número um: a elegância, o estilo. Os dribles, hoje tão raros, eram a tônica essencial dos pontas. É, quem viu, viu. Era tão bonito, que hoje a garotada quando assiste a uma partida do passado, parece estar vendo o futebol em câmara lenta, de tão estiloso que era.
Ah! Milton e Torero! Como gostaria de ter o dom da memória e da escrita de vocês dois, mas, estou sempre atento as suas matérias. Já é um grande aprendizado.
Outro pormenor, é que rejeito sobremaneira a aceitar a versão de que hoje os alas fazem a função dos pontas. Ora bolas! Comparar um Cafu com o Garrincha, é brincadeira. Um Zé Mané qualquer de hoje com um Dorval, ou com um Edu. Basta! Isso já está me irritando.
Para elucidar mais ainda o fim do futebol romântico, narro um “causo” acontecido com o extraordinário Edu, aquele que considero o último dos moicanos. Portanto, certa vez no comando de Elba Pádua de Lima, o lendário Tim, Edu apenas cumpria a sua função de ponta, negando-se a acompanhar o lateral, visto que o futebol já se transformara, e que agora os chamados “alas”, já ousavam atravessar a linha demarcatória do meio de campo para apoiar o ataque. Após várias reclamações de seu treinador, é triste mas sou obrigado a citar uma redundância, Tim implorava para o Edu “marcar o seu marcador” . E eis que, a certa altura, Tim resolveu substituí-lo, e ao passar pelo banco, Edu cabisbaixo, apenas argumentou: “porque o senhor me tirou se eu nem estava cansado?”. Sabiamente, veio a resposta: “Mas, eu estava”.

Ainda hoje, conversando com meu amigo Modestinho, no Santos F.C, ele me lembrou de um chavão do célebre e carismático treinador, Dom Filpo Nunes: “ Hay que jugar por las puntas”.
E tenho dito.
Abaixo, mostro algumas fotos dos pontas com quem joguei.
Abraços do Gigi

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